Educação

A Sala de Aula Invertida: uma realidade possível nas escolas do Brasil?

Numa escola de metodologia tradicional, no qual uma aula dura em média 50 minutos, o professor leva cerca de 30 a 35 para explicar conceitos e lhe restam 15 minutos para aplicar atividades, fazer a chamada, por a turma em ordem, entre outros. Ou seja, o tempo nesse método é bem reduzido e as aplicações dos conteúdos e de atividades podem se tornar superficiais.

 

Também temos que levar em conta que os avanços tecnológicos mudaram a forma de se aprender/ensinar, o que torna essa organização tradicionalista pouco produtiva. Diante dessa nova demanda por um ensino mais proveitoso e aprofundado, eis que surge um novo método: a sala de aula invertida (SAI). Já lhes digo, de antemão, que esse conceito nada tem a ver com o “mundo invertido” da narrativa da série Stranger Things, disponibilizada pela Netflix. A seguir, vamos compreender um pouco esse novo estilo de se fazer escola.

 

A inversão da sala de aula

            A sala de aula invertida promove uma transformação na forma de ensinar/aprender ao inverter a organização da classe. Se no método tradicional o aluno estuda os conteúdos em sala e faz os deveres em casa, no método de sala de aula invertida ocorre o contrário: o aluno vê previamente os conteúdos em casa e as atividades são feitas em sala. E como isso funciona? Em casa, o aluno tem acesso a vídeos, textos, jogos, entre outros, para ter uma noção prévia do conteúdo que o professor deseja. Já em classe, o tempo é usado para tirar dúvidas, criar grupos de discussão, simulações, resolver casos reais, etc. Logo, as aulas tornam-se menos expositivas e mais participativas, o tempo é usado de forma mais rica, o estudante passa a ser mais ativo nesse processo de aprendizagem e o professor pode focar numa abordagem mais direta de ensino. Também cabe ressaltar que o relacionamento professor/aluno tende a ser mais próximo. Algumas pesquisas já evidenciaram tal fato. Uma universidade dos Estados Unidos comprovou que esse método aumentou em 20% a presença dos alunos e em 40% sua participação.

 

Mas será que esse método funcionaria nas escolas públicas do Brasil?


 
O método de sala de aula invertida (Flipped Classroom, em inglês) já é bastante usado em várias partes do mundo, principalmente nos Estados Unidos, onde reside o “criador” desse conceito, Jonathan Bergmann (foto). No Brasil, algumas universidades de Engenharia utilizam esse método em suas disciplinas. Em relação às escolas públicas, há ainda um bom caminho a ser percorrido para que a SAI possa ser implantada. Embora não seja uma solução tecnológica, mas sim pedagógica, como diz Jonathan em uma entrevista para o G1, existe uma parte tecnológica no processo. Sabemos que a democratização das tecnologias não é uma realidade no Brasil, pois muita gente ainda não tem acesso efetivo a esses avanços. Ainda cabe dizer que a sala de aula invertida exige hábitos de estudo recorrentes, o que não faz parte da realidade dos jovens daqui, pois suas famílias nem sempre participam do processo de incentivo aos estudos. Também é necessário que os professores acreditem que essa nova ideia possa trazer melhorias para a sala de aula. Esses são alguns dos problemas que a SAI poderá enfrentar no Brasil se for implantada nas escolas sem que haja um bom planejamento prévio.

 

            Em resumo, a SAI vem como um método que pretende fazer uma fusão entre o tradicional e o novo. Pretende incorporar à sala de aula a facilidade que as tecnologias de informação prometem e, consequentemente, mudar a forma como se aprende e se ensina. Cada vez mais os alunos se tornam protagonistas de sua própria aprendizagem e os professores podem trabalhar com mais eficácia, sem preocupar-se com o tempo, por exemplo. No entanto, para que seja implantada no Brasil, algumas situações devem ser vencidas. E você, leitor, como acha que esses problemas podem ser resolvidos para que a sala de aula invertida possa se tornar uma realidade em todas as escolas?

Maycon Miliorini